
Quanto custa não fazer nada
Toda decisão de energia é tratada como uma compra. Mas esperar também tem preço, e ele costuma ser maior do que o da proposta.
Quando uma empresa recebe uma proposta de energia solar, a reunião costuma girar em torno de três perguntas. Quanto custa? Em quanto tempo se paga? Vale a pena fazer agora ou é melhor esperar?
São perguntas razoáveis. Mas todas partem de uma premissa escondida: a de que não fazer nada sai de graça.
Não sai.
O custo que aparece na conta
O primeiro custo de esperar é o mais óbvio, e mesmo assim quase ninguém soma. Cada mês de espera é um mês de conta cheia paga à distribuidora. Esse dinheiro não volta.
Quanto custa esperar
Escolha a sua conta, quanto tempo pensa em esperar e quanto dela um sistema cobriria.
Conta simples, sem reajuste no período. Com reajuste, o custo de esperar é maior.
Esperar a tecnologia ficar mais barata só compensa se a queda de preço for maior do que tudo o que você paga de conta enquanto espera. Os painéis já ficaram muito mais baratos na última década, e quem passou esses dez anos esperando o momento ideal pagou a conta inteira durante todo esse tempo.
A regra do jogo está escrita
Existe ainda um custo que tem data marcada. A Lei 14.300 definiu que os sistemas novos passam a pagar, aos poucos, a parte da tarifa que remunera a rede da distribuidora, o chamado fio B, sobre a energia que mandam para a rede e usam depois.
Quanto do fio B os sistemas novos pagam
Percentual da componente fio B cobrado sobre a energia compensada, ano a ano.
O custo que não aparece em lugar nenhum
O segundo custo é o que nenhum relatório mostra. Pergunte a um dono de restaurante quanto custou a última sexta-feira sem luz, com o salão cheio. A uma clínica, quanto custou remarcar um dia inteiro de pacientes. A um supermercado, quanto foi para o lixo quando a câmara fria esquentou. A um síndico, quantas mensagens recebeu com o elevador parado e a caixa d'água vazia.
| Negócio | O que vai embora |
|---|---|
| Restaurante | As vendas do turno, a comida refrigerada, a experiência do cliente. |
| Clínica e laboratório | Consultas e exames remarcados, vacinas e medicamentos que precisam de frio. |
| Supermercado | Perecíveis, vendas no caixa, horas de equipe parada. |
| Condomínio | Elevador, bombas d'água, portão, câmeras e a paciência dos moradores. |
| Escritório | Horas de trabalho, servidores fora do ar, prazos. |
Nenhum desses números aparece na conta de luz. Todos são custo de energia.
O preço da proposta você vê na primeira página. O preço de não fazer nada você paga sem perceber.
Trocar a pergunta
A mudança de mentalidade aqui é simples. Antes de perguntar quanto custa fazer, pergunte quanto está custando não fazer. Para essa conta ficar completa, some:
- As contas dos próximos anos, com reajuste.
- As horas sem luz no último ano, e o que cada uma custou.
- O que foi perdido: estoque, vendas, clientes, horas de equipe.
- A economia que já poderia ter acontecido se a decisão tivesse sido tomada antes.
Às vezes, depois dessa conta, a resposta continua sendo esperar, e tudo bem. Mas aí é uma decisão, não inércia.
- Fio B
- A parte da tarifa que paga a rede da distribuidora: postes, cabos, transformadores, manutenção e operação.
- Energia compensada
- A energia que você mandou para a rede e depois usou como crédito para abater a conta.
- Payback
- O tempo que o sistema leva para devolver, em economia, o que custou. Depois dele, a economia é lucro.



