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Decisão

Quanto custa não fazer nada

Toda decisão de energia é tratada como uma compra. Mas esperar também tem preço, e ele costuma ser maior do que o da proposta.

31 de outubro de 20264 min de leituraPACE Inteligência Energética
Supersonic · Jundiaí, SP

Quando uma empresa recebe uma proposta de energia solar, a reunião costuma girar em torno de três perguntas. Quanto custa? Em quanto tempo se paga? Vale a pena fazer agora ou é melhor esperar?

São perguntas razoáveis. Mas todas partem de uma premissa escondida: a de que não fazer nada sai de graça.

Não sai.

O custo que aparece na conta

O primeiro custo de esperar é o mais óbvio, e mesmo assim quase ninguém soma. Cada mês de espera é um mês de conta cheia paga à distribuidora. Esse dinheiro não volta.

Quanto custa esperar

Escolha a sua conta, quanto tempo pensa em esperar e quanto dela um sistema cobriria.

Conta paga esperandoR$ 24 mil
Economia que não aconteceuR$ 19 mil

Conta simples, sem reajuste no período. Com reajuste, o custo de esperar é maior.

Esperar a tecnologia ficar mais barata só compensa se a queda de preço for maior do que tudo o que você paga de conta enquanto espera. Os painéis já ficaram muito mais baratos na última década, e quem passou esses dez anos esperando o momento ideal pagou a conta inteira durante todo esse tempo.

A regra do jogo está escrita

Existe ainda um custo que tem data marcada. A Lei 14.300 definiu que os sistemas novos passam a pagar, aos poucos, a parte da tarifa que remunera a rede da distribuidora, o chamado fio B, sobre a energia que mandam para a rede e usam depois.

Quanto do fio B os sistemas novos pagam

Percentual da componente fio B cobrado sobre a energia compensada, ano a ano.

15%30%45% 60%75%90% 202320242025 202620272028
Fonte: Lei 14.300/2022, art. 27. A partir de 2029, valem as regras que a ANEEL definir para os novos sistemas.

O custo que não aparece em lugar nenhum

O segundo custo é o que nenhum relatório mostra. Pergunte a um dono de restaurante quanto custou a última sexta-feira sem luz, com o salão cheio. A uma clínica, quanto custou remarcar um dia inteiro de pacientes. A um supermercado, quanto foi para o lixo quando a câmara fria esquentou. A um síndico, quantas mensagens recebeu com o elevador parado e a caixa d'água vazia.

O que se perde quando a luz cai
NegócioO que vai embora
RestauranteAs vendas do turno, a comida refrigerada, a experiência do cliente.
Clínica e laboratórioConsultas e exames remarcados, vacinas e medicamentos que precisam de frio.
SupermercadoPerecíveis, vendas no caixa, horas de equipe parada.
CondomínioElevador, bombas d'água, portão, câmeras e a paciência dos moradores.
EscritórioHoras de trabalho, servidores fora do ar, prazos.

Nenhum desses números aparece na conta de luz. Todos são custo de energia.

O preço da proposta você vê na primeira página. O preço de não fazer nada você paga sem perceber.

Trocar a pergunta

A mudança de mentalidade aqui é simples. Antes de perguntar quanto custa fazer, pergunte quanto está custando não fazer. Para essa conta ficar completa, some:

  1. As contas dos próximos anos, com reajuste.
  2. As horas sem luz no último ano, e o que cada uma custou.
  3. O que foi perdido: estoque, vendas, clientes, horas de equipe.
  4. A economia que já poderia ter acontecido se a decisão tivesse sido tomada antes.

Às vezes, depois dessa conta, a resposta continua sendo esperar, e tudo bem. Mas aí é uma decisão, não inércia.

Em uma fraseNão pergunte só quanto custa fazer. Pergunte quanto está custando não fazer.
Para não esquecer
Fio B
A parte da tarifa que paga a rede da distribuidora: postes, cabos, transformadores, manutenção e operação.
Energia compensada
A energia que você mandou para a rede e depois usou como crédito para abater a conta.
Payback
O tempo que o sistema leva para devolver, em economia, o que custou. Depois dele, a economia é lucro.
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Na prática

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